Escolher uma foto de Sebastião Salgado que nos emociona e que crava em nós um profundo sentimento de respeito e solidariedade, dentro do leque grandioso de trabalho que ele possui, é uma tarefa impossível. São tantas, de instantes tão preciosos, que reduzir a uma escolha é tornar simplória uma obra tão densa. Por isso, depois de muitas dúvidas, me permiti ser trespassada pelos olhares profundos dos três homens retratados (pode ser que, dos retratados, talvez um deles seja uma mulher) na volta do trabalho.
O contraste da luz nos olhos e lábios ressalta os detalhes de força e embrutecimento das pessoas, causados pelo trabalho árduo. A perspectiva, que mostra a profundidade pela ocupação dos três indivíduos no espaço, apresenta uma imagem de frente, em destaque, quase ocupando todo o espaço da foto. As pessoas retratadas se misturam com o plano de fundo, com a paisagem, como se tivessem saído da terra e se materializado como gente. É impressionante essa identidade com o lugar, esse pertencimento.
Os três olham diretamente para a câmera, diretamente nos nossos olhos, mas a imagem não é estática, ela caminha em nossa direção. É uma foto forte e bela. O sentimento que desperta em mim é de coragem, minimiza minhas dificuldades, muda o foco do meu olhar. É como se eles, os retratados, me transportassem para outro mundo, fazendo com que eu pudesse experiênciar outra realidade. Cria um movimento interno em mim, dinamiza meu sentido e apura meu conceito de belo.
Os nossos conceitos ocidentais de beleza estão relacionados ao que chamamos bonito, ou seja, o que está dentro dos parâmetros delineados pela cultura de quem observa. São relacionados ao que eu posso consumir, agregar valor a mim, apresentar como meu e que reflete uma mesma identidade do outro. Mas o belo em uma obra artística possui outras características. Salienta aspectos que podem ser feios a primeira vista, mas que são fortes e significativos. Uma leitura superficial assim, analisando esse conceito de bonito, diria que esses homens estão sujos, que são pobres.
A beleza da foto não está na beleza do retratado. Está antes no olhar de quem retratou, no instante fugaz que conseguiu capturar o contexto, o sentimento, a provocação. O belo não precisa ser bonito. O belo precisa ser impactante, profundo, um agente transformador, uma experiência que nos atravessa.
Site dessa imagem
Sebastião Salgado (1944 -)
kmspublicidade.com.br
Detalhes: 3543 × 2351 (5x maior), 5.6MB / JPG / data 28 set. 2006 / câmera ultrality ultra
O contraste da luz nos olhos e lábios ressalta os detalhes de força e embrutecimento das pessoas, causados pelo trabalho árduo. A perspectiva, que mostra a profundidade pela ocupação dos três indivíduos no espaço, apresenta uma imagem de frente, em destaque, quase ocupando todo o espaço da foto. As pessoas retratadas se misturam com o plano de fundo, com a paisagem, como se tivessem saído da terra e se materializado como gente. É impressionante essa identidade com o lugar, esse pertencimento.
Os três olham diretamente para a câmera, diretamente nos nossos olhos, mas a imagem não é estática, ela caminha em nossa direção. É uma foto forte e bela. O sentimento que desperta em mim é de coragem, minimiza minhas dificuldades, muda o foco do meu olhar. É como se eles, os retratados, me transportassem para outro mundo, fazendo com que eu pudesse experiênciar outra realidade. Cria um movimento interno em mim, dinamiza meu sentido e apura meu conceito de belo.
Os nossos conceitos ocidentais de beleza estão relacionados ao que chamamos bonito, ou seja, o que está dentro dos parâmetros delineados pela cultura de quem observa. São relacionados ao que eu posso consumir, agregar valor a mim, apresentar como meu e que reflete uma mesma identidade do outro. Mas o belo em uma obra artística possui outras características. Salienta aspectos que podem ser feios a primeira vista, mas que são fortes e significativos. Uma leitura superficial assim, analisando esse conceito de bonito, diria que esses homens estão sujos, que são pobres.
A beleza da foto não está na beleza do retratado. Está antes no olhar de quem retratou, no instante fugaz que conseguiu capturar o contexto, o sentimento, a provocação. O belo não precisa ser bonito. O belo precisa ser impactante, profundo, um agente transformador, uma experiência que nos atravessa.
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Sebastião Salgado (1944 -)
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Detalhes: 3543 × 2351 (5x maior), 5.6MB / JPG / data 28 set. 2006 / câmera ultrality ultra
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